Governo desativa leitos para pacientes com Covid-19 em hospital referência de São Luís

O Governo do Maranhão anunciou a desativação de uma ala do Hospital Dr. Carlos Macieira, em São Luís, que atendia exclusivamente pacientes com Covid-19. Ao todo, 12 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 70 de enfermaria foram redistribuídos para outras especialidades. A unidade era uma das referências para a doença na capital maranhense.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que nas próximas semanas, serão fechados mais serviços que tratam da doença em hospitais de São Luís e, os atendimentos serão concentrados em um só lugar, que ainda não foi divulgado. A diminuição gradual dos leitos já havia sido anunciada há duas semanas, pelo governador Flávio Dino (PCdoB), durante uma entrevista coletiva.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Carlos Lula, a medida foi tomada por conta da queda nas internações pela Covid-19, que segundo ele, era de 25% em dois hospitais da Grande Ilha até a terça-feira (7). Ele afirma que a suspensão dos serviços não significa que o estado já venceu a pandemia.

"Não pode significar o relaxamento. Não pode significar que a gente venceu, isso não pode significar as aglomerações que a gente viu no fim de semana. A gente tá vencendo a doença, a gente tem vencido as batalhas, a gente está diminuindo progressivamente os leitos. Então, a gente ainda está longe de dizer que venceu a doença. Não tem vacina, não tem medicamento eficaz. Precisamos manter as medidas, que é o uso de máscaras, higienização das mãos, distanciamento social para a gente não ter uma segunda onda da doença no estado", disse Lula.Carlos Lula afirmou que caso haja um aumento no número de infecções pelo novo coronavírus, todas as medidas de reabertura de gradual comércio e serviços no estado podem ser revogadas. Segundo o secretário, a população precisa manter o isolamento social e os cuidados com a higiene para evitar o retrocesso das atividades.

"Se esse número voltar a crescer e a gente perder o controle, a gente vai fechar de novo. A gente pede para a população manter os cuidados, para que a gente não possa fechar a economia, não precisar fechar de novo o comércio, não precisar fechar de novo as atividades que estamos voltando. A gente tem que manter esse cuidado, que a Covid é uma doença séria, que mata e mata muitas pessoas. Já matou mais de 2 mil pessoas no Maranhão e a gente não pode achar simplesmente que acabou, porque não acabou. Ainda temos longas semanas e meses pela frente até a vacina da doença", explicou.

Ritmo de contágio aumento

O ritmo de contágio pelo novo coronavírus aumentou na grande São Luís. Antes, os números vinham em queda, mas em julho voltou a subir, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES). No último fim de semana, dois bailes funk clandestinos foram interrompidos pelas autoridades na Grande São Luís.

Taxa de contágio pelo novo coronavírus:

ABRIL: de 2,6 pra 1,8
MAIO: de 1,8 pra 1,4
JUNHO: 0,8
JULHO: 1,03

O estado vive desde o fim de maio um processo gradual de reabertura da economia. O governador afirmou em entrevista coletiva, realizada após anúncio do retorno das atividades, que a reabertura será uma 'experiência' e caso aconteça a 'segunda onda' de infecção pela Covid-19, os decretos poderão ser revistos e medidas mais rígidas serão implementadas novamente no estado.

Cidades começam a se 'desmontar'

O processo de desativação de leitos e protocolos voltados para a Covid-19 também começou a ser realizada em outras regiões do país. Em Manaus, a prefeitura anunciou a desativação do hospital de campanha da cidade, após a queda na taxa de letalidade.

O cemitério da cidade também suspendeu enterros em vala comum e volta a usar covas individuais após redução de mortes. O sistema de valas comuns, chamado pela prefeitura de "trincheira", era realizado desde o dia 21 de abril.

Em contextos diferentes, o Rio de Janeiro anunciou também nesta sexta a desativação de leitos no Hospital Anchieta, que chegou a ser alvo de denúncias. E o Ministério da Saúde anunciou na quinta-feira (18) a desabilitação de 89 leitos em diferentes municípios do Mato Grosso.

G1MA